Entre edifícios, multidão e ruído, erguem-se formas retilíneas e circulares, genialmente concebidas.
Os traços alongam-se; as luzes passam fugidias, atropeladas.
Com o pensamento preso ao dever e à pressa, olhamos de soslaio, sem tempo para distinguir entre as sombras, se alguma se destaca.
Nos dias de descanso, a fuga conduz-nos para o campo.
Ali, encontra-se a paz.
Cada som é único. Não se sobrepõem, nem se anulam.
Como notas de uma melodia, complementam-se ao reconhecerem o lugar de cada um.
Respeitam-se.
A luz e as sombras deixam de competir.
Existem apenas, singulares, e conjugam-se na beleza simples do natural.
Ana Belfo André
Texto inspirado em:
“O campo é onde não estamos. Ali, só ali, há sombras verdadeiras e verdadeiro arvoredo.” – Fernando Pessoa
Janeiro 2026